Não bastassem os desafios do movimento de AIDS no Brasil (dificuldade de articulação, de definição de plataformas políticas mais afinadas, de criação de espaços próprios e ocupação qualificados dos espaços abertos à participação da sociedade civil), há que pensar em como esse mesmo movimento deve encarar a mobilização política para além das fronteiras do país.
A pauta da AIDS tem ocupado espaços e gerado conflitos de interesses envolvendo governos, multinacionais e instituições multilaterais. Para se ter uma idéia da capilaridade que a discussão ganhou só na última década e das tarefas da sociedade civil no cenário mundial, destaca-se a necessidade de monitoramento da UNGASS - declaração de compromisso das Nações Unidas com metas para enfrentar a epidemia da AIDS, pactuada pelo Brasil; a briga nos espaços multilaterais de comércio como a OMC para debater a venda de medicamentos e registros de patentes; o empobrecimento da epidemia que tem exigido uma fala mais incisiva sobre desenvolvimento e relações econômicas entre países; além de aspectos já conhecidos como a fase do estigma que a epidemia tem tomado; o debate sobre direitos sexuais e reprodutivos, políticas de planejamento familiar, fontes alternativas de sustentabilidade, acesso a fundos internacionais de financiamento e por aí vai....
Para completar, as ONGs latino-americanas e caribenhas têm ainda de lidar com a invisilibilidade da região para a comunidade internacional quando a pauta são políticas de combate a epidemia.
Diante de tantos desafios, um cenário interno e externo desfavorável à participação política dos movimentos sociais, o que se espera é uma reformulação da estrutura e estratégias políticas . E a depender desse misto de desafios, incertezas e equívocos, as expectativas não são nada boas. Saiba por que logo mais com uma análise interessantíssima de Mauro Scheffer, da ONG AIDS Pela VIDDA, de São Paulo. Ele fala das perspectivas para o movimento de AIDS no Brasil.
Até mais!
Antonio Sardinha
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