O que dá para notar é que o tema a dar o tom do encontro será os rumos que a sociedade civil pretende se dar para enfrentar os novos desafios da epidemia. Em aparente crise, devido a equívocos cometidos dentro do movimento na organização do próprio ERONG, as cobranças que vêm do governo e da própria sociedade civil para permanência do diálogo qualificado que faz do movimento referência para outros países, além dos desafios colocados no cenário nacional e internacional para atuação da sociedade civil na luta contra a epidemia, tudo isso fez com que as as organizações se vissem em uma situação que parece decisiva ao que esperar do ativismo nessa área. As provocações começaram antes mesmo do debate ser oficialmente inaugurado, afinal, a questão já colocada é a discussão sobre a identidade do movimento. A pergunta que não calou: o que é ser ativista de um movimento de luta contra a epidemia da AIDS hoje? Outra: como cada organização tem cuidado desse patrimônio conquistado às custas de muita articulação e mobilização política? Aos ibissianos embrenhados em uma pesquisa que mapeia e estuda a constituição e relação das redes de direitos humanos com a pauta da AIDS, fica o desafio tb.
As discussões, como já disse, prometem e não demora muito para surgir a primeira contradição. Ao mesmo tempo que se avalia o movimento ONG/AIDS, a conversa sobre ativismo internacional que abriu o evento adiantou a pauta que algumas organizações, inclusive o IBISS, já estão atentas, a de ampliação do foco de sua atuação. A idéia é discutir a AIDS a partir de matrizes mais estruturais. Exemplo: a relação entre integração latino-americana como um novo contexto para tratar da epidemia. Sobre isso, retomo amanhã, como uma novidade interessante !
Abrçs
Antonio Sardinha
Um comentário:
Vejo que a discussão parece não ter fim... um movimento que começa com altivez no enfrentamento da epidemia, precisa mudar, de forma rápida e radical, visando constituir-se como palco de discussão de direitos humanos...
Infelizmente a centralidade da discussão ainda está na saúde... Não há como não estar, mas é preciso alargar horizontes... o trabalho precisa ser a centralidade, na medida em que viver, o que já é difícil, pode não ser o suficiente quando se quer manter-se vivo no cotidiano da nossa sociedade, pautando e sendo pautado pela vida... e viva não é somente sobrevivência...
Então, para além disso, é preciso que o ENONG paute a articulação latinoamericana e articulação com os países do sul, especialmente África...
Estela
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