Não sei se já é regra, se sempre foi assim ou se é um caso para o rol dos ineditismos contemporâneos que entram para a prateleira do modismo passageiro. O fato é que os movimentos sociais estão discutindo identidades (ou a falta delas) com uma intensidade que a preocupação é saber se essa é uma reação a uma cultura com caldo político estimulante de novos rumos ou se a dificuldade de afirmação é reflexo dos tempos nebulosos de negação do sujeito político e democrático.
Em mais uma plenária que acompanho de movimentos sociais, o debate passa longe da definição de plataformas políticas, estratégias sólidas para a articulação e mobilização e capacidade de perceber e analisar circunstâncias por uma perspectiva macro-estrutural. As energias e a discussão são monopolizadas pelo discurso da negação pela negação e/ou da contestação pela contestação, que vai se fazendo a partir de uma falsa sensação de avanços, na verdade resgatados por matrizes ou já ultrapassadas pela força da história ou pela superação política consensuada..
Se o reducionismo analítico-político estiver a meu favor, está dada uma plataforma a ser aprimorada para pensar a atuação dos movimentos sociais no Brasil contemporâneo. A plenária do Fórum Nacional DCA que nos diga: o fazer político burocratizado, às vezes forçado a acontecer de cima para baixo reflete uma tendência de se confundir os atores e com isso os seus próprios papéis.
E mais, tende-se a trazer os vícios da representatividade para espaços genuinamente democráticos. Quando se institucionaliza o fazer político, o que se vê, por exemplo, é o conflito federativo - que muita dor de cabeça oferece a gestão pública no Brasil - trazido para os movimentos sociais, o paternalismo como prática incorporada na relação intra-movimento, autonomia sendo confundida com ocupação ingênua e/ou interessada de espaços coletivos e por aí afora...
Tudo isso para dizer que a polêmica da plenária de hoje (14) do Fórum Nacional DCA concentra o foco no debate que vai da possibilidade dos Fóruns estaduais disputarem vagas no secretariado nacional, de se vincular a eleição da sociedade civil no Conanda à filiação ao Forum Nacional, a necessidade de "ajuda" pelo Conanda aos conselhos locais em crise... Questões que para quem acompanha o movimento de defesa dos direitos da infância parecem estar claras pelo posicionamento do próprio movimento.
E a polêmica não pára por aí, porque amanhã acontece a eleição do novo secretariado, o que me faz crer que teremos surpresas !
Volto com os nomes do grupo de organizações não-governamentais que vai coordenar a atuação de uma das principais articulações pelos direitos humanos de crianças e adolescentes no país. Até mais!
Antonio Sardinha
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